sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

É o que está a dar

Só ontem reparei num anúncio da nova campanha de televisão da TMN com os reis magos, em que aparece um d'eles a dizer que vai triplicar-não-sei-o-quê a Marrocos. Franzi o sobrolho (o mesmo que já está quase bom) e notei um pormenor interessante. Onde é que está o preto!?!? Não há! Erro de casting? não me parece. Prefiro acreditar que o director criativo é um gajo com talento e visão que aproveitou a campanha para enviar uma mensagem clara da vantagem caucasiana: "Os telemoveis não são para vocês, se vocês os têm, concerteza é porque os roubaram". O anúncio não é brilhante como a estrela que terá guiado os velhotes, pode até dizer-se que não é políticamente correcto. Mas eu juro que não tive nada a ver com o assunto.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Já fui feliz aí

Quem é que diz isso? Ah, aquele gajo ...o ...o Esse! É um querido ele, não é? Por acaso é, mas e a desilusão que dei à minha mãe quando lhe contei do dia em que o Zé voltou de férias do Brasil e trouxe com ele na bagagem um professor de aeróbica meio preto com quem brincava aos papás & aos papás !? Mamãe não queria acreditar. Já papai asseverou logo que sempre lhe sentira um …como é!? “piquinho a azedo”. Eu bem digo, …pretos …ciganos …judeus …rotos …Oudaçe! Só me sai é corja!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O Admirável mundo electrónico

Não, nem é assim tão novo. Afinal a ideia de experimentar a blogosfera já é antiga, confesso que durante muito tempo, nem eu próprio me lembrava que este endereço existia. Não era suposto este espaço ser lido por alguém que não fosse o meu próprio alter-ego em dias de "nada melhor que fazer". E eis que vindo do nada, aparece um robôt a comentar o desabafo de mim para a minha pessoa acerca desta "nova fase" da minha vida -a fase do não tabaquismo-. Pá, boa! tipo ....erhhh... como é que esta alminha me aparece aqui, se eu nem sequer fiz questão de dizer que esta cena existe!?! fiquei à toa. Depois, aparece MarInês a dizer para eu não escrever " á" que é feio. Oudaçe!!!! PASSEI-ME!!!! Mas o que é que vocês estão a fazer a espiolhar no meu saco do lixo!?!?! Hummm ?!?!?! Quem vos deu autorização?!?!?! Foi nesta altura que eu fiz uma introspecção (outra) e fez-se luz. Olha, já está já está. A partir de agora declaro oficialmente aberto o "blogue do Lekaz". Sejam benvindos Caros Leitores.
PS - já agora, vão aparecendo. Prometo postar aqui toda a verborreia que me atravesse o cérebro ...erhhh ...o tico e o teco ...os meus dois neurónios. Depois, não se queixem. Ah! e com isto uma singela homenagem ao 1º intruso que por aqui apareceu

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Parei de Fumar

Querido leitor,
Desde a noite do "apagão" que abaixo descrevi que tomei uma decisão. Se é certo que vou passar a beber moderadamente, aproveito, e páro de fumar. Uma coisa está directamente relacionada com a outra, alcool puxa cigarros, cigarros puxam o alcool. E assim vão os dois amigos de mão dada em direcção á cirrose precoce ou ao efizema pulmonar. É inevitável. Por isso vou fazer questão de aproveitar a nova lei anti-tabaco que gerou esta maré de não contemplação para com os fumadores e vou entrar na onda, vou surfá-la até não poder mais. É uma oportunidade de ouro, comparável à abstinência das mulheres quando engravidam. Não digo que não fumarei nunca mais, não posso dizê-lo, clínicamente só estamos livres da dependência física ao fim de um ano. O pior será a ansiedade provocada pela carência de nicotina, um destes dias dei por mim particularmente exaltado sem razão aparente, depois pensei, a culpa é da abstinência, só podia ser por isso. Mas vou esforçar-me por nem sequer pensar em inalar fumo de tabaco. Deve ser uma questão de auto-controle e disciplina, evitar os ambientes contaminados é um princípio, beber moderadamente é uma ajuda e a proibição de fumar em espaços publicos uma benção.
Vou agarrar esta oportunidade, mesmo que o cancro me venha a apanhar, vou fazê-lo sofrer enquanto conseguir. Há 13 dias que não fumo, e o contador está em marcha.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Eu vi "A Luz"

Caro leitor,
Como quase todos vocês saberão, eu gosto de beber, gosto mesmo. Bebo porque me dá prazer e faço-o desde tenra idade ou não fosse eu ter raizes em terras do Douro, a 1ª região vitivinícula demarcada em toda a história da humanidade. Apesar disso, a minha mãe sempre me disse que eu deveria evitar beber (muito), que a culpa era do meu ADN ser particularmente sensível e o meu fígado apresentar marcas deixadas pela hepatite juvenil. Talvez por isso eu sempre tenha procurado beber com alguma razoabilidade. Mas há alturas em que a emoção se sobrepõe à razão ...e eu sou um ser muito emocional. Chamem-lhes "distracções" ou "momentos de maior descontracção" aquelas alturas em que estamos a divertir-nos com os amigos, não temos pressa, nada que fazer, trabalhar, conduzir ou estar sujeitos a pressões de espécie alguma. É nestas alturas que o apelo alcoolico é mais forte que eu. Não quero, por isso, deixar passar em branco (tinto; cerveja e wiskie) uma experiencia que vivi e que me fez repensar a minha atitude perante o teor alcoolico. "Pronto, foi ao balão e acusou" dirão uns, "tem uma cirrose e o médico proibiu-o de beber" dirão outros. Não! o que me aconteceu foi uma simples e vulgar bebedeira, que de simples e vulgar não teve nada, diga-se. O cenário é o seguinte: baixa de Lisboa, jantar de amigos, restaurante recém-inaugurado, cheira a novo. Chego à hora marcada e constato que sou dos primeiros, ainda antes de me sentar peço a primeira das quatro cervejas com que engulo as entradas de pimentos, queijos e presunto serrano. Uma hora depois, começo a jantar a bela da costeleta de vitela grelhada com dois copinhos de tinto do Dão. A rematar o café e o habitual whisky irlandês carregado de gelo. Tudo dentro da normalidade (pensava eu), até porque já houve ocasiões em que havia emborcado bem mais. Ás páginas tantas, como se de uma falha de corrente eléctrica se tratásse -Desliguei !!! de repente, algo em mim fez quebrar o elo de ligação com a minha consciencia. Desde aquele instante, foi como se a minha alma adormecesse e se separasse do meu corpo. Contaram-me depois, que durante uma boa hora e meia, a minha pessoa, continuou a socializar obviamente acalorado pelos vapores etílicos, mas que manteve conversas sérias com os colegas; já na rua cumprimentou uma mão cheia de individuos; abraçou oliveiras; derrubou propositadamente caixotes de lixo; manteve uma pose pró-activa, até que um amigo, depois de me olhar sériamente nos olhos (diz ele) achou (e bem) que eu estava inconsciente dentro do meu corpo hiper-activo, num estado transcendental impossível de controlar. Nada mais havia a fazer que não fosse, conduzir a minha pessoa para casa. De manhã, acordo sereno para recuperar a racionalidade, guardo flashes fotográficos da noite de ontem, pedaços de um imenso puzzle. Oiço as versões de quem lá esteve, de quem me acompanhou. Incrédulo, pergunto-me como posso ter estado tão activo? quando a unica coisa de que me lembro entre a mesa do restaurante e o amontoado de roupa suja e esborratada de sangue aos pés da minha cama pela manhã, foi o tombo que dei e que está na origem desta dor incómoda que me assola o ombro e me esgadanhou o rosto. Desde essa noite, sou um homem novo. Considero esta experiência que convosco partilho, uma luz no caminho. A luz das estrelas que vi quando o meu crâneo embateu no granito fazem agora parte do meu sistema anti-excessos.